segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Amazônia – laboratório das biocivilizações do futuro

Amazônia – laboratório das biocivilizações do futuro

Se os mercados são incapazes de governar as sociedades, é hora de reinventar a política. Está nas mãos do Brasil uma oportunidade para preservar a floresta e oferecer vida digna a seus milhões de habitantes (texto-base para a conferência de 17 de novembro, em São Paulo)
Texto completo disponível em: <http://diplo.uol.com.br/2008-11,a2646>. Acesso em: 24 nov. 2008.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ignacy Sachs reforça o Territórios da Cidadania

Ignacy Sachs reforça o Territórios da Cidadania
06/11/2008

O Programa Territórios da Cidadania, lançado neste ano pelo Governo Federal com o propósito de erradicar a pobreza no meio rural, recebeu nesta semana um reforço na sua equipe. Trata-se do professor Ignacy Sachs (81), titular há 30 anos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e considerado mundialmente como um dos maiores especialistas em desenvolvimento sustentável. Um dos resultados deste reconhecimento profissional é a indicação, neste ano, ao Prêmio Nobel de Economia.

O contrato como consultor do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (Nead/MDA) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) foi assinado pelo economista na última quarta-feira (5), em Fortaleza (CE), onde ele participa, até o final da semana, do III Fórum Internacional de Gestão Social dos Territórios.

Nascido na Polônia, mas naturalizado francês, Sachs também possui uma estreita relação com o Brasil, onde chegou com a família aos 14 anos, refugiado da Segunda Guerra Mundial. Estudou no Rio de Janeiro e se formou em Economia na, hoje, Universidade Cândido Mendes. Em 1954, retornou à Polônia e de lá foi para Índia fazer doutorado em Padrões do Setor Público nos Países em Desenvolvimento.

No currículo, estão experiências na organização da Primeira Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas (ONU), a Estolcolmo-72, realizada na Suécia, e na Cúpula da Terra - mais conhecida como Rio-92. Outra contribuição do professor e pesquisador foi ter participado, nos idos de 1970, da elaboração do conceito do termo ecodesenvolvimento que, tempos depois, passou a ser chamado de desenvolvimento sustentável.

Ignacy Sachs reside atualmente em Paris, onde ministra aulas e dirige o Centro de Estudos sobre o Brasil contemporâneo na França. É conhecido pela defesa de idéias, e ideais, como a de que sustentabilidade não pode ser apenas ambiental, mas, também, social, cultural, econômica e de governabilidade política.

Um pouco antes da sua participação no III Fórum Internacional de Gestão Social dos Territórios, Sachs comentou suas expectativas de trabalho como consultor do Territórios da Cidadania, ressaltou a importância da implementação de políticas públicas simultâneas (que dêem acesso ao conhecimento, equipamentos, crédito e mercados) e foi enfático ao avaliar critérios da reorganização fundiária num país. "Não há reforma agrária sem um estado desenvolvimentista atuante", afirma.


O senhor considerada um desafio o trabalho de consultoria que prestará ao Territórios da Cidadania, programa iniciado há menos de um ano?

Certamente. E grande! A idéia, a intenção e os objetivos do Territórios da Cidadania são excelentes, mas as dificuldades de comunicação também são enormes. Vivemos num mundo em que estamos acostumados a pensar o desenvolvimento de cima para baixo. Não dá para aceitar a utopia anarquista de que tudo se faz só embaixo. Temos que aprender a gerar um diálogo, uma interação. E isso significa que nós temos que dinamizar aquelas comunidades situadas nas camadas sociais mais baixas. Eu diria que esse é o ponto central do Territórios da Cidadania, além de ser um enorme desafio.

Por que aceitou o convite para esse novo trabalho?
Aceitei porque esse é um desafio que aponta na direção certa. O desafio consiste em encontrar caminhos melhores para aqueles que hoje sobrevivem graças ao Bolsa Família e outros programas semelhantes. Poder olhar mais de perto o que está acorrendo aqui no Brasil é um privilégio. Por isso aceitei o convite com entusiasmo.

Quais as vantagens, o diferencial deste programa como política pública destinada à melhoria das condições socioeconômicas da população rural?

A vantagem, que também é o desafio principal, é que o Territórios da Cidadania cria uma resposta por agora. O Bolsa Família, por exemplo, tem que ser mês após mês, ano após ano. Uma vez que se coloca alguém numa situação em que ele tem como começar a ganhar a vida por si, esse processo gera uma dinâmica econômico-social. Um território que começa a se desenvolver gera a oportunidade de um pulo rápido para a frente. Depois que esse pulo se dá, ele tem um enorme efeito psicológico na população, que já não acreditava em mais nada e passa a acreditar nela mesma. Eu não acredito num futuro onde o destino pertence só a projetos locais. Temos que articular espaços de desenvolvimento de políticas públicas planejadas para evitar o desperdício de recursos. O Territórios propõe exatamente isso!

Por ser um programa reestruturante do meio rural, o senhor acredita que o homem do campo, e a sociedade como um todo, perceberá seus resultados em quanto tempo?

Primeiramente, isso vai depender dos próprios resultados do Territórios da Cidadania. Por outro lado, dependerá também como esses resultados serão difundidos para essa população. Mas, antes de saber como o Territórios da Cidadania vai impactar a imaginação dos brasileiros, é bom pensar como organizar todos esses recursos disponíveis. A minha principal preocupação é como fazer o projeto não virar uma colcha de retalhos. Fazer com que tenha uma coesão, uma lógica interna e, portanto, uma capacidade de auto-definição. Se eu aceitei esse desafio é porque eu espero incomodar todos vocês.

O senhor já desempenhou atividade semelhante, passou por desafios similares ao que enfrentará nesta consultoria?

Não, trabalho semelhante a esse eu nunca fiz. Por sua escala e pelo volume dos recursos comprometidos, o Territórios da Cidadania é um programa pioneiro de planejamento participativo do desenvolvimento territorial voltado à inclusão social.

Nos trabalhos realizados e nações visitadas, o senhor conheceu alguma iniciativa governamental semelhante ao Territórios da Cidadania?

Uma iniciativa governamental da dimensão desta, que doma o touro pelos chifres e diga "aqui estamos com políticas assistenciais, políticas de alívio para a pobreza", eu não conheço. Há, sim, uma série de políticas de luta contra a pobreza, porém, não tenho conhecimento de um projeto ou programa do tamanho desse que o Territórios da Cidadania está se propondo a ser.

Para ler a entrevista completa, acesse aqui (
http://www.mda.gov.br/arquivos/1726919232.pdf)
Acesso em: 21 nov. 2008.

domingo, 10 de agosto de 2008

Ignacy Sachs- o economista e sociólogo que ajudou a formular o conceito que passou a ser chamado de Desenvolvimento Sustentável.

Nascido na polônia, em 1927, Ignacy Sachs chegou ao Brasil como refugiado da Segunda Guerra Mundial. Viveu e estudou no Rio de Janeiro, antes de iniciar uma carreira internacional.

Ignacy Sachs trabalhou na organização da Primeira Conferência do Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, a Estocolmo 72, realizada na Suécia. E também na Cúpula da Terra, a inesquecível Rio 92. No início dos anos 70, ele ajudou a definir o conceito de ecodesenvolvimento, que tempos depois viria a ser chamado de desenvolvimento sustentável.

SACHS: A palavra foi inventada pelo secretário das duas conferências, de Estocolmo e do Rio, Maurice Strong. E eu fui um pouco encarregado de botar isso [...] [de forma] mais organizada, etc. E foi assim que começou. Podemos dizer que o desenvolvimento é a universalização efetiva do conjunto dos direitos humanos. Por direitos humanos eu entendo não só os direitos políticos, civis, cívicos, mas eu entendo direitos econômicos, sociais, culturais.

Ignacy acha que o desenvolvimento sustentável deve ser socialmente includente, ou seja, acabar com a exclusão social; deve distribuir riquezas, conservar e garantir os recursos naturais para esta e as futuras gerações.

SACHS: Se não tomarmos cuidado com o que fazemos, vamos destruir o planeta.

Ignacy não participou da Rio + 10 – Johannesburgo, em 2002, por estar decepcionado com os rumos do desenvolvimento sustentável.

SACHS: Eu acho que, de 72 a 92, nós avançamos muitíssimo no lado conceitual, mas a prática não acompanhou, ao contrário. [...] Da Cúpula da Terra do Rio até Johannesburgo, nós não só não avançamos, mas nós provavelmente regredimos. O problema é que essa idéia de desenvolvimento sustentável, eu costumo dizer, ou nasceu 15 anos tarde demais, ou 30 anos ou 40 anos cedo demais, porque ela coincidiu no tempo com a “contra-reforma” neoliberal, ou seja, o ataque ao papel do Estado, o ataque ao intervencionismo, e nada disso que estou falando pode ser realmente conseguido em uma economia dita “economia pura de mercado”.

O avanço mais importante nos últimos 50 anos, segundo Ignacy, é a mobilização da sociedade civil para garantir os seus direitos.

SACHS: Cada um de nós, por modesto que seja, e qualquer que seja o lugar onde ele está, tem uma responsabilidade com relação aos outros e, ao mesmo tempo, tem um espaço onde ele pode atuar, e se não tem esse espaço, o primeiro problema passa a ser a luta para ampliar esse espaço [...].

Ignacy aponta três dos principais problemas mundiais para o século XXI: o aquecimento da Terra provocando as mudanças climáticas; a falta de perspectivas para os mais de 2 bilhões de pequenos agricultores do mundo; e o terceiro grave problema é a dependência do petróleo.

SACHS: Quanto tempo toleraremos de estar na camisa de força da civilização do petróleo? Com todas as complicações que a luta e as guerras pelo petróleo trazem à humanidade.

SACHS: O Brasil é o país que melhores condições, no mundo, reúne, para iniciar uma transição para o desenvolvimento sustentável baseado numa civilização moderna de biomassa.

É preciso, segundo ele, mudar a forma de se pensar o país. De se abrir para as enormes possibilidades que os nossos recursos naturais propiciam.

SACHS: A esperança mora sempre dentro [de nós]. A esperança é uma atitude. Ou seja, por mais críticos que [sejamos] da realidade, isso não é uma razão para desesperar, e sim uma razão para mobilizar as forças para tentar superar esses obstáculos.


Referências
Vídeo disponível no sítio do Repórter Eco: <
mms://videos.tvcultura.com.br/reportereco-videos/20061201-ignacysachs-150k.wmv >. Acesso em: 10 ago. 2008.
Transcrição por Eliseu Raphael Venturi.

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Texto do sítio do Repórter ECO:

3/12/2006 - Desenvolvimento sustentável
Ignacy Sachs- o economista e sociólogo que ajudou a formular o conceito que passou a ser chamado de Desenvolvimento Sustentável.


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Nascido na Polônia,em 1927,Ignacy Sachs chegou ao Brasil como refugiado da Segunda Guerra Mundial.Viveu e estudou no Rio de Janeiro,antes de iniciar uma carreira internacional. Trabalhou na organização da Primeira Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU ,a Estocolmo-72 realizada na Suécia,e na Cúpula da Terra,a inesquecível Rio-92. No início dos anos 70, Ignacy ajudou a definir o conceito de ecodesenvolvimento que tempos depois passou a ser chamado de desenvolvimento sustentável.Entrevista com Ignacy Sachs -A palavra foi inventada pelo secretário das duas conferencias de Estocolmo e do Rio, Maurice Strong.E eu fui encarregado de botar isso mais organizado e foi assim que começou. Podemos dizer que o um desenvolvimento é a universalização efetiva do conjunto dos direitos humanos, por direitos humanos eu entendo não só os direitos cívicos, mas eu entendo direitos econômicos, culturais, sociais e todo conjunto de direitos coletivos."Ignacy acha que o desenvolvimento sustentável deve ser socialmente includente,ou seja acabar com a exclusão social,deve distribuir riquezas,conservar e garantir os recursos naturais para esta e as futuras gerações.Entrevista com Ignacy Sachs -"Não podemos abandonar o crescimento , enquanto houver as desigualdades sociais que existem no mundo.Por outro lado se não tomarmos cuidados com o que fazemos vamos destruir o planeta. "


Autor: Pauta:Marici Arruda. Reportagem: Maria Zulmira de Souza. Imagens do Documentário: "Depois da Rio+ 10"-produzido pela TV Cultura de São Paulo. Edição de Texto:Valesca Canabarro . Edição de Imagens: Olavo Inácio. Editora-Chefe: Vera Diegoli.


Ignacy Sachs - mensagem
Paris, 18 de Fevereiro de 2008.

Senhor Presidente,

Na impossibilidade de comparecer à solenidade de lançamento do Programa Territórios da Cidadania, desejo parabenizar à distância o governo brasileiro por essa tão importante iniciativa que coloca em novo patamar o combate à pobreza e às desigualdades sociais.

Territórios da Cidadania vem completar o Bolsa Família, considerado como um projeto exemplar de transferência da renda às famílias carentes, condicionada pela presença regular dos seus filhos na escola e pela participação nas campanhas de vacinação. Completar, ao apontar a inclusão social pelo trabalho decente como a tão necessária forma de saída da Bolsa da Família, de emancipação dos que dela se beneficiam hoje.

Territórios da Cidadania resultou da determinação do Estado desenvolvimentista de pôr em marcha a economia dos territórios mais atrasados, onde se concentram os bolsões de miséria mais recalcitrantes, e de fazê-lo despertando todas as forças vivas da sociedade local através da criação de fóruns e de conselhos de desenvolvimento.

Cada vez mais o desenvolvimento há de ser pactuado entre todos os seus protagonistas, a sociedade, os empreendedores, as autoridades municipais, estaduais e federais. Para tanto, torna-se necessário elaborar de forma participativa um duplo diagnóstico: por um lado, a lista das necessidades mais prementes e dos obstáculos a serem superados; por outro lado, jogando, por assim dizer, na ofensiva, a identificação dos recursos naturais latentes, presentes em cada território, a serem combinados com a força de trabalho ociosa num amplo leque de projetos, os mais variados. As trajetórias de desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente sustentável são plurais.

Por sua escala, e pelo volume de recursos comprometidos, Territórios da Cidadania nasce como um programa pioneiro, a nível internacional, de planejamento participativo do desenvolvimento territorial voltado à inclusão social pelo trabalho dos que se encontram à beira das estradas do progresso e destinado a propulsar novo ciclo de desenvolvimento rural com agricultores familiares como atores principais.

O desenvolvimento nacional não se reduz a um somatório de projetos locais, mas tampouco pode prescindir deles. Ao realizar territórios da Cidadania, o Brasil estará contribuindo de maneira cabal à invenção de novas formas de atuação do Estado desenvolvimentista, comprometido com a justiça social.

Muito obrigado,
Ignacy Sachs.


Referências


Vídeo disponível no sítio do Ministério do Desenvolvimento Agrário: < http://www.mda.gov.br/portal/index/show/index/cod/1775/codInterno/15996#>. Acesso em: 10 ago. 2008.


Transcrição por Eliseu Raphael Venturi.